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E o Sonic Youth entrou. Thurston Moore, Kim Gordon, Lee Ranaldo e companhia, símbolos do rock alternativo para mais de uma geração, fizeram a alegria de muitos jovens e tiozões naquele estacionamento do Playcenter. Mesmo sob chuva e tocando poucos hits, a banda mostrava química e entrosamento no palco, enquanto distorcia guitarras e fazia o público viajar entre clássicos e faixas do disco mais recente, The Eternal.

Uma das melhores fotos que minha câmera (e a distância) me permitiram tirar do SY... force a vista e você acha eles aí
Eu, que não sou fã, gostei. Me aproximei o máximo para ver com algum conforto (mas não pra produzir uma foto decente sequer) e não fui embora nem quando a chuva apertou. Foi realmente ótimo.
E aí era chegado o grande momento da noite. Iggy Pop prometia a vibe do Primal Scream e a energia do Sonic Youth, e entregou as duas, ao quadrado. O velhinho entrou no palco descamisado (claro), de calça jeans apertada (claro) e fazendo todas as caretas a que tinha direito. Não deu muito, estava de quatro no palco.

Iggy, nosso cachorro
O público, claro, delirava com a demonstração tão explícita do lado mais primitivo e animal do rock. Iggy cantava, mas o show estava nos pulos, rodopios, moshs e gritos que ele alternava a cada cinco segundos.
Não demorou muito pra bunda de Iggy estar 50% visível para o público. Indiferente, Iggy continuava pulando e cantando as músicas de Raw Power, álbum de 1973 que traz alguns dos maiores sucessos de Iggy & The Stooges. Cofrinho mais tr00 não há.
Teve uns momentos em que o Iggy enfiava a mão nas calças, olhava pra alguém da platéia, fazia uma expressão de louco e começava a sacudir o saco freneticamente. Toda vez que ele fazia isso, parecia que ele ia mostrar o pau. E de fato, no final da primeira parte do show, depois de tantas ameaças, tinha gente pedindo pro Iggy ficar pelado.
A apoteose da primeira parte foi quando Iggy disse que queria duas pessoas para subirem ao palco cantar com ele. Subiram 200. Com a situação fora de controle, os seguranças protegiam a banda, que não parou de tocar, e Iggy, que era alvo de dezenas de marmanjos pululantes, loucos pra abraçar o velhinho. Quando a música acabou, apenas o saxofonista ficou no palco, fazendo uma trilha sonora jazzeira para a expulsão dos invasores.

E foi mil vezes mais sensacional do que parece
A resenha do Rraurl resume bem o que aconteceu: “Foram quase 10 minutos para esvaziar o palco e reclamações paranoicas na imprensa no domingo - "AGRESSÃO E TUMULTO DOS SEGURANÇAS"? Bem, quem subiu ali foi por conta e risco”. E digo mais: só apanhou quem se recusou a descer numa boa. Tenho uma amiga de 1,6 m que subiu e saiu sã e salva.
Na volta, os Stooges tocaram mais uma música e Iggy decretou: “now play the goddamn Passenger”. E tocaram, claro, pra massa feliz entoar o “la la la la” mais sombrio do rock, que o Capital Inicial, se por um lado quase estragou, por outro ajudou a popularizar.
Lust for Life encerrou o melhor show do Terra. Quando Iggy se mandou do palco, cansado e com a missão cumprida, as calças finalmente cederam e o público ainda em êxtase pode espiar de longe a bunda do tiozinho. Nem importava mais. O show de Iggy e seus Stooges foi mesmo “raw power”, cru, escancarado e caótico como eles gostam de fazer.
Eu, que tenho quarenta anos a menos que Iggy e nem metade de sua coragem, saí feliz.

Certezas do Terra 2009: 1) Iggy Pop é foda, 2) Playcenter ainda serve pra alguma coisa, 3) Preciso de uma câmera nova
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