sábado, 21 de novembro de 2009

Planeta Terra 2009 (parte 2)

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E o Sonic Youth entrou. Thurston Moore, Kim Gordon, Lee Ranaldo e companhia, símbolos do rock alternativo para mais de uma geração, fizeram a alegria de muitos jovens e tiozões naquele estacionamento do Playcenter. Mesmo sob chuva e tocando poucos hits, a banda mostrava química e entrosamento no palco, enquanto distorcia guitarras e fazia o público viajar entre clássicos e faixas do disco mais recente, The Eternal.

Uma das melhores fotos que minha câmera (e a distância) me permitiram tirar do SY... force a vista e você acha eles aí

Eu, que não sou fã, gostei. Me aproximei o máximo para ver com algum conforto (mas não pra produzir uma foto decente sequer) e não fui embora nem quando a chuva apertou. Foi realmente ótimo.

E aí era chegado o grande momento da noite. Iggy Pop prometia a vibe do Primal Scream e a energia do Sonic Youth, e entregou as duas, ao quadrado. O velhinho entrou no palco descamisado (claro), de calça jeans apertada (claro) e fazendo todas as caretas a que tinha direito. Não deu muito, estava de quatro no palco.

Iggy, nosso cachorro

O público, claro, delirava com a demonstração tão explícita do lado mais primitivo e animal do rock. Iggy cantava, mas o show estava nos pulos, rodopios, moshs e gritos que ele alternava a cada cinco segundos.

Não demorou muito pra bunda de Iggy estar 50% visível para o público. Indiferente, Iggy continuava pulando e cantando as músicas de Raw Power, álbum de 1973 que traz alguns dos maiores sucessos de Iggy & The Stooges. Cofrinho mais tr00 não há.

Teve uns momentos em que o Iggy enfiava a mão nas calças, olhava pra alguém da platéia, fazia uma expressão de louco e começava a sacudir o saco freneticamente. Toda vez que ele fazia isso, parecia que ele ia mostrar o pau. E de fato, no final da primeira parte do show, depois de tantas ameaças, tinha gente pedindo pro Iggy ficar pelado.

A apoteose da primeira parte foi quando Iggy disse que queria duas pessoas para subirem ao palco cantar com ele. Subiram 200. Com a situação fora de controle, os seguranças protegiam a banda, que não parou de tocar, e Iggy, que era alvo de dezenas de marmanjos pululantes, loucos pra abraçar o velhinho. Quando a música acabou, apenas o saxofonista ficou no palco, fazendo uma trilha sonora jazzeira para a expulsão dos invasores.

E foi mil vezes mais sensacional do que parece

A resenha do Rraurl resume bem o que aconteceu: “Foram quase 10 minutos para esvaziar o palco e reclamações paranoicas na imprensa no domingo - "AGRESSÃO E TUMULTO DOS SEGURANÇAS"? Bem, quem subiu ali foi por conta e risco”. E digo mais: só apanhou quem se recusou a descer numa boa. Tenho uma amiga de 1,6 m que subiu e saiu sã e salva.

Na volta, os Stooges tocaram mais uma música e Iggy decretou: “now play the goddamn Passenger”. E tocaram, claro, pra massa feliz entoar o “la la la la” mais sombrio do rock, que o Capital Inicial, se por um lado quase estragou, por outro ajudou a popularizar.

Lust for Life encerrou o melhor show do Terra. Quando Iggy se mandou do palco, cansado e com a missão cumprida, as calças finalmente cederam e o público ainda em êxtase pode espiar de longe a bunda do tiozinho. Nem importava mais. O show de Iggy e seus Stooges foi mesmo “raw power”, cru, escancarado e caótico como eles gostam de fazer.

Eu, que tenho quarenta anos a menos que Iggy e nem metade de sua coragem, saí feliz.

Certezas do Terra 2009: 1) Iggy Pop é foda, 2) Playcenter ainda serve pra alguma coisa, 3) Preciso de uma câmera nova
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Planeta Terra 2009 (parte 1)

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JURO que escrevi o texto abaixo logo após o Terra. Mas, pra vocês terem idéia de como eu sou, fui adiando a postagem e acabou ficando pra agora, 15 dias depois...

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Planeta Terra 2009 (parte 1)

Móveis Coloniais de Acaju, epic win

Quem foi ao Terra 2008 sabe que foi inesquecível. O de 2009 tinha um line-up igual ou melhor, era num local mais acessível e trazia o extra de permitir usar os brinquedos do Playcenter. Tudo para se igualar ao outro, então.

E, olha, missão cumprida. Depois da viagem do Radiohead, do show morno dos Kooks e da piração do Franz Ferdinand (devo um texto desse), o Terra será um encerramento perfeito pro meu ano musical, se eu não for mais pra show nenhum.

Cheguei ao Playcenter depois de andar 5 minutos numa van assassina que carregava provavelmente o dobro de sua lotação (tinha gente até no parabrisa). Essa era o serviço oficial da organização para levar quem ia pro parque a partir do terminal Barra Funda. Espero que todos os viajantes tenham sobrevivido.

Chegando lá, rolava o show dos Móveis Coloniais de Acaju, que, pelas poucas músicas que eu vi, são realmente muito bons. O final, com os malacos descendo na pista para tocarem seus metais, foi diferente e divertido. E deu literalmente pra olhar os integrantes nos olhos, todos com sorrisos que iam de orelha a orelha. Nunca tinha ouvido essa turma na vida, mas depois desse show, me comprometi a escutar.

Maxïmo Park, esforçado

Quando acabou, o público se dispersou e eu aproveitei para me aproximar da grade. Milagrosamente, num festival que recebeu 16 mil pessoas, consegui ficar na terceira fila para ver o Maxïmo Park. Apesar de esforçados, os britânicos não conseguiram levantar o povo. Algumas pessoas sabiam cantar algumas músicas, mas, em geral, o público não se animou. Nem eu, que só estava plantado ali, agüentando o solzão, pra me garantir no show do Primal Scream.


Primal Scream, saia da escuridão

O Primal Scream, que faz um álbum diferente do outro e erra quase tanto quanto acerta, fez um show frio, tão frio que era quase como se tocassem para a parede. Mas os hits do repertório garantiram a vibração do público, que pulou bastante e cantou junto. Eu, inclusive.

E pior do que ver Bobby Gillespie quase irrelevante no palco, de tão distante que estava, era NÃO ver o baterista Darrin Mooney e o tecladista Martin Duffy, sumidos na escuridão típica dos shows do Primal. Nada contra o estilão da banda, mas poxa, precisa deixar os negos tão apagados assim?

Ah, e vale um registro: foi difícil, quase impossível, alguém gritar o nome do Bobby Gillespie no show. Mas o nome de Mani, o baixista, que também tocou nos Stone Roses, foi gritado por todo mundo. Porque, mesmo não sendo a alma de nenhuma das duas bandas, ele era talvez o maior ícone do rock presente naquele palco.

Pelo menos até o Sonic Youth entrar...
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quarta-feira, 16 de setembro de 2009

Pneumonia is back



Quer motivo mais propício pra ressuscitar este blog?

Na minha infância, a versão clássica do Sítio do Picapau Amarelo já estava no passado, mas volta e meia alguém inventava de reprisar. A Emília da Dirce Migliaccio sempre me dava medo. Tava mais pra bruxa do que boneca.

Nesta foto recente da Dirce vestida de Emília, que acompanha a reportagem, dá para entender por quê:

Run, Isabela Drummond, run!


Algumas pessoas tinham medo do Professor Tibúrcio, outras tinham medo do Fofão. Eu tinha medo da Emília. Felizmente, não vi episódios suficientes para pegar trauma.

Mas até hoje tenho um medo genérico de bonecas...

“Vou te seguir até no inferno, desgraçado”
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sábado, 1 de agosto de 2009

Um Obama pra chamar de seu

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Um dos problemas de ficar em casa em um fim de semana é que você passa tempo demais na internet. Dos sites de notícia você passa para o Orkut, de lá para os sites de joguinhos, e de lá para os blogs, onde dá para passar horas e horas realmente improdutivas vendo coisas como esta:


Não, não é de verdade, mas é preciso tirar o chapéu para a idéia.

Se fosse real, Obama se juntaria a um clube que inclui nomes como Lindsay Lohan, Christina Aguilera e Jessica Simpson – todas celebridades com sua própria sex doll.

E com certeza a do Obama ia vender bem mais que fidelíssima boneca da Sarah Jessica Parker...

De que adiantam “3 fabulous love holes” com essa cara de traveco?
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quarta-feira, 22 de julho de 2009

Em que mundo vivemos?

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Sabe aquelas situações que acontecem aleatoriamente e que te fazem voltar a ter fé na humanidade? Hoje aconteceu uma comigo e eu, sendo eu, acabei solenemente cagando em cima.

Foi assim: fui ver o show de um amigo em um bar. O problema é que, não importa se a apresentação é para 6 pessoas ou para 6 mil, show sempre atrasa. E esse já começava tarde, para um dia de semana: 21h30. Sendo que eu moro em outra cidade.

Ou seja, assisti o que pude e tive que picar minha mula antes do fim. Aí só deu eu levantando no meio do show, passando pelas mesas, incomodando as pessoas. Meu amigo zoou comigo no microfone: "ah, tá indo embora, tem que pegar o trem para Santo André".

Nisso, uma moça bem bonita, que eu nunca tinha visto na vida, me parou e disse: "você mora em Santo André? Eu também... se quiser, te dou carona".

Então eu, em absoluto choque por ver essa demonstração de - Jesus, me segura - solidariedade em plena noite paulista, disse a coisa mais imbecil que alguém poderia dizer nessa hora:

- Er... tem certeza que você quer dar carona para um estranho?

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(espaço reservado para o leitor abaixar a cabeça, cerrar os lábios, esfregar a testa com as pontas dos dedos e dizer "puta que o pariu, bicho burro")
...
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Além de estragar minha carona, demonstrei por A mais B que a humanidade não presta mesmo.
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sexta-feira, 3 de julho de 2009

100 posts

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Este é o centésimo post desse blog. Um número ridículo, considerando que o endereço tem quase dois anos.

Desde que o blog começou, muita gente legal já veio aqui ler meus posts, comentar e até me linkar. Alguns desses, eu só descubro o maior tempão depois, quando vou olhar os links que serviram de porta para visitantes do site.

Muito obrigado a todos que visitam e que lêem o blog, na cega esperança de que um dia eu poste alguma coisa decente.

Para comemorar o aniversário, vou explicar o nome do Pneumonia. Aliás, não sei por que nunca fiz isso. Com vocês, Garoto Enxaqueca:



Não tem como não amar, né? Passava na MTV na época boa. E é melhor do que a maioria dos programas que passa hoje, ainda.

Mas enfim, com o frio que anda fazendo em São Paulo, é bem provável que eu pegue pneumonia e morra num futuro breve, que nem o Garoto Enxaqueca. Então, deixo um último suspiro: um texto de 2005, minha primeira tentativa humorística de todos os tempos.

Hoje, acho tosquinho, mas tem gente que ainda lê e gosta. Se resolver abrir o link, caro leitor, seja piedoso comigo, eu tinha acabado de entrar na faculdade. Ou pegue pneumonia e morra, seu chato.

“Tá feliz, Garoto Enxaqueca?”, “Tôôôôôôôô” - vocês não sabem o que isso significou para a formação do meu caráter
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sábado, 27 de junho de 2009

Mosquinhas

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Tenho que admitir que eu estava errado quando falei do papel higiênico de casa.

Minha mãe poderia ter feito muito, muito pior. Tipo assim:

A ironia é que, em geral, são as moscas que vão atrás do cocô
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